AGRONEGÓCIO
Abate de bovinos bate recorde no Brasil e reforça força da pecuária no mercado interno e externo
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A pecuária bovina brasileira alcançou um novo marco em 2026. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o País registrou o maior volume de abate de bovinos para um primeiro trimestre desde o início da série histórica.
Entre janeiro e março deste ano, foram abatidos 10,289 milhões de animais, entre machos e fêmeas, resultado que supera todos os registros anteriores para o período e confirma o avanço da produção pecuária nacional.
O volume representa crescimento de 3,27% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e avanço expressivo de 9,1% frente ao mesmo período de 2024.
Expansão da oferta impulsiona produção
De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o desempenho reflete a ampliação da produção pecuária observada nos últimos anos, aliada à maior disponibilidade de animais para comercialização.
A evolução dos índices produtivos, os investimentos em genética, nutrição e manejo, além da profissionalização das propriedades rurais, têm contribuído para o aumento da eficiência do setor e para a elevação da oferta de bovinos ao mercado.
Pecuária fortalece posição estratégica do Brasil
O recorde de abates reforça o papel da pecuária bovina como uma das principais atividades do agronegócio brasileiro. Além de garantir o abastecimento do mercado interno, o setor segue ampliando sua relevância no comércio internacional de proteínas animais.
Segundo pesquisadores do Cepea, o cenário evidencia a elevada competitividade da cadeia produtiva da carne bovina brasileira, que continua conquistando espaço em mercados estratégicos e atendendo à crescente demanda global por alimentos.
O Brasil mantém posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina, beneficiado por um sistema produtivo eficiente, disponibilidade de áreas de produção e capacidade de atender diferentes mercados consumidores.
Perspectivas para o setor
A expectativa é de que a pecuária continue apresentando desempenho robusto ao longo de 2026, sustentada pela demanda internacional aquecida e pela manutenção de uma oferta significativa de animais terminados.
O comportamento dos preços da arroba, o ritmo das exportações e as condições econômicas dos principais países importadores seguirão no radar dos produtores e agentes do mercado nos próximos meses.
Com mais um recorde histórico de abates, a pecuária brasileira reafirma sua importância para a economia nacional e fortalece seu protagonismo no agronegócio global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista
A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.
Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.
Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais
O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.
Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.
Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.
Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado
O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.
Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.
Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.
Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.
Risco de base pode comprometer confiança do produtor
Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.
Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.
Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.
Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil
Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.
A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.
Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.
Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados
Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.
O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto
Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.
No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.
A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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