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Setor lácteo lança mobilização nacional e cobra ações emergenciais para proteger o leite brasileiro

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Produtores rurais, indústrias e lideranças do setor lácteo iniciaram, nesta quinta-feira (30), um movimento nacional em defesa do leite brasileiro. A iniciativa, liderada pelo Conseleite/RS, tem como objetivo conter o avanço das importações de leite em pó e derivados, que vêm desequilibrando o mercado interno e ameaçando milhares de empregos no campo e nas cidades.

O grupo enviou um documento oficial ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice-presidente Geraldo Alckmin, e aos ministros Carlos Fávero (Agricultura), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além do diretor da Conab, João Edegar Pretto. No texto, o colegiado pede três medidas emergenciais para conter a crise no setor.

Setor pede pacote emergencial de apoio ao leite nacional

O primeiro pedido apresentado ao governo é a criação de um incentivo fiscal às indústrias que comprarem leite em pó nacional, tornando o produto brasileiro mais competitivo frente ao importado. Atualmente, supermercados e fabricantes de alimentos, como panificadoras e indústrias de chocolates, têm optado por importar o produto de países vizinhos.

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A segunda solicitação é a compra governamental de 100 mil toneladas de leite em pó produzido no Brasil, com destinação a programas sociais e alimentação escolar. A medida, segundo o setor, ajudaria a reduzir os estoques e sustentaria os preços pagos aos produtores.

Já a terceira demanda prevê a adoção de uma sobretaxa emergencial de 50% sobre a importação de leite em pó e queijo muçarela da Argentina e do Uruguai, válida por 36 meses, como forma de equilibrar a concorrência e proteger a produção nacional.

Crise no campo se agrava com excesso de oferta e margens apertadas

De acordo com o coordenador do Conseleite/RS, Darlan Palharini, o setor chegou a um ponto crítico, com queda na rentabilidade e dificuldades crescentes para competir com o produto importado.

“O problema não é novo, mas chegamos ao limite. Não há como competir com a avalanche de leite e queijos do Prata que está entrando no Brasil. Precisamos de apoio, ou o setor lácteo nacional não resistirá por muito tempo”, afirmou Palharini.

Ele explica que o início da safra, período em que a produção de leite aumenta naturalmente por conta do clima, intensificou o desequilíbrio entre oferta e demanda. Enquanto isso, as indústrias nacionais enfrentam margens reduzidas e veem suas plantações ameaçadas pela concorrência desleal.

“O apoio governamental é essencial neste momento crítico, para que possamos avançar em produtividade e competitividade e, no futuro, enfrentar o mercado globalizado de forma autônoma”, conclui o dirigente.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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