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Tarifa de 25% dos EUA ameaça exportações brasileiras e exige reação imediata das empresas

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A possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre exportadores e autoridades brasileiras. A medida, proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ainda está em fase de consulta pública e audiência, mas já exige atenção das empresas que mantêm negócios com o mercado norte-americano.

Embora a lista preliminar contemple exceções relevantes, como café, carne bovina, energia, metais, terras raras e componentes aeronáuticos, especialistas alertam que os impactos podem ultrapassar a questão tarifária e atingir diretamente a competitividade das empresas brasileiras.

Investigação envolve temas além das tarifas

Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, o processo conduzido pelos Estados Unidos possui alcance mais amplo do que uma simples discussão sobre tarifas de importação.

A investigação inclui temas estratégicos como comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, políticas anticorrupção e questões relacionadas ao desmatamento.

Na avaliação do especialista, o avanço da investigação pode criar um ambiente de maior insegurança regulatória para empresas brasileiras que atuam no comércio internacional, exigindo monitoramento constante e planejamento antecipado.

Brasil tem três caminhos para responder à medida

No campo institucional, o governo brasileiro dispõe de diferentes mecanismos para contestar ou negociar a proposta norte-americana.

A primeira frente é diplomática, conduzida por órgãos como o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que podem atuar diretamente junto ao USTR para tentar modificar ou reduzir os efeitos da medida.

Como a proposta ainda está em fase de consulta pública, existe espaço para negociações e eventuais ajustes antes de uma decisão definitiva.

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A segunda alternativa envolve o sistema multilateral de comércio, por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil já manifestou, em episódios anteriores, posicionamento contrário à adoção de medidas unilaterais fora das regras multilaterais estabelecidas pela entidade.

A terceira possibilidade está prevista na Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), que criou instrumentos para que o Brasil possa responder a ações comerciais consideradas prejudiciais à competitividade nacional.

No entanto, especialistas alertam que qualquer reação deve ser cuidadosamente calibrada para evitar prejuízos às cadeias produtivas brasileiras, importadores e consumidores.

Empresas precisam revisar contratos e operações

Mesmo sem uma definição sobre a implementação das tarifas, especialistas recomendam que empresas exportadoras iniciem imediatamente uma análise detalhada de sua exposição ao mercado norte-americano.

O primeiro passo é identificar quais produtos poderão ser atingidos pela sobretaxa e avaliar os impactos sobre contratos em andamento e negociações futuras.

Em muitos casos, uma tarifa adicional de 25% pode comprometer a viabilidade econômica de operações já contratadas, especialmente em setores que trabalham com margens reduzidas.

Além disso, torna-se fundamental revisar cláusulas contratuais, estratégias de precificação, alternativas logísticas e possibilidades de diversificação de mercados.

Setores mais vulneráveis podem sentir maior impacto

Os segmentos mais expostos aos efeitos da medida tendem a ser aqueles que exportam produtos não contemplados pelas exceções anunciadas pelos Estados Unidos.

Empresas que atuam em mercados altamente competitivos, com baixa margem de lucro e pouca capacidade de repassar custos aos compradores americanos, podem enfrentar maiores dificuldades caso a tarifa seja efetivamente implementada.

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Por outro lado, setores ligados ao café, carne bovina, energia, mineração estratégica e indústria aeronáutica devem sofrer impacto direto mais limitado devido à exclusão preliminar desses produtos da lista tarifária.

Lista de exceções revela interesses estratégicos dos EUA

Para Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional, a composição da lista de exceções evidencia uma lógica geopolítica e econômica por trás da proposta norte-americana.

Segundo ele, os produtos isentos são justamente aqueles em que os Estados Unidos dependem fortemente do fornecimento brasileiro ou enfrentam dificuldades para substituí-los rapidamente por outros mercados.

Entre os itens preservados estão carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, fertilizantes, aeronaves e componentes aeronáuticos.

Na avaliação do especialista, a medida busca proteger cadeias estratégicas de abastecimento norte-americanas ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre outros segmentos exportadores brasileiros.

Cenário exige planejamento e gestão de riscos

Enquanto o processo segue em análise nos Estados Unidos, empresas brasileiras com operações internacionais devem reforçar suas estratégias de gestão de risco e acompanhar de perto a evolução das negociações.

Além dos possíveis impactos financeiros, a discussão evidencia o crescente peso das questões geopolíticas, regulatórias e ambientais nas relações comerciais globais.

Para exportadores, a antecipação de cenários, a revisão de contratos e a diversificação de mercados podem ser decisivas para reduzir riscos e preservar a competitividade diante de um ambiente internacional cada vez mais complexo e imprevisível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de carne de frango do Brasil superam US$ 1 bilhão em maio e atingem recorde histórico

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As exportações brasileiras de carne de frango atingiram um marco histórico em maio de 2026. Pela primeira vez, a receita mensal gerada pelos embarques da proteína superou a marca de US$ 1 bilhão, consolidando um novo recorde para o setor e reforçando a competitividade do Brasil no comércio internacional de alimentos.

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas externas de carne de frango, incluindo produtos in natura e processados, totalizaram US$ 1,009 bilhão no mês. O resultado representa um crescimento de 36,1% em comparação com maio de 2025, quando a receita alcançou US$ 741,2 milhões.

Volume exportado registra melhor desempenho da história para o mês de maio

Além do recorde em faturamento, o setor também alcançou o maior volume já exportado para um mês de maio.

Os embarques somaram 509,9 mil toneladas, avanço de 29,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 393,4 mil toneladas.

O desempenho ganha ainda mais relevância diante do cenário registrado em 2025, quando o setor enfrentou impactos decorrentes do único caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) já registrado na história da avicultura comercial brasileira.

Exportações acumuladas mantêm trajetória de crescimento em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o Brasil exportou 2,453 milhões de toneladas de carne de frango, volume 8,7% superior ao registrado entre janeiro e maio de 2025, quando os embarques somaram 2,257 milhões de toneladas.

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A receita acumulada também apresentou evolução significativa. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações geraram US$ 4,714 bilhões, alta de 11,3% em comparação aos US$ 4,234 bilhões obtidos no mesmo período do ano anterior.

China lidera compras e mercados de alto valor ampliam demanda

A China manteve a posição de principal destino da carne de frango brasileira em maio, com importações de 48,3 mil toneladas, volume 34,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Na sequência aparecem:

  • Japão: 43,2 mil toneladas (+53,9%)
  • União Europeia: 40,2 mil toneladas (+61,6%)
  • Arábia Saudita: 39,1 mil toneladas (+27,5%)
  • Emirados Árabes Unidos: 32,3 mil toneladas (+1,2%)
  • África do Sul: 31,4 mil toneladas (+22,8%)
  • México: 23,5 mil toneladas (+40,9%)
  • Filipinas: 20,8 mil toneladas (-14,2%)
  • Coreia do Sul: 18,2 mil toneladas (+36,4%)
  • Reino Unido: 12,2 mil toneladas (+18,8%)

O crescimento expressivo em mercados como Japão, União Europeia e Coreia do Sul evidencia a ampliação da presença brasileira em destinos de maior valor agregado e elevado rigor sanitário.

Paraná amplia liderança entre os estados exportadores

O Paraná permaneceu na liderança nacional das exportações de carne de frango, respondendo por 213,9 mil toneladas embarcadas em maio, crescimento de 35,1% na comparação anual.

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Os demais estados com maior participação foram:

  • Santa Catarina: 113,9 mil toneladas (+39,7%)
  • Rio Grande do Sul: 62,9 mil toneladas (+21,3%)
  • São Paulo: 27,8 mil toneladas (+10,5%)
  • Goiás: 26,4 mil toneladas (+26,4%)

Juntos, esses estados concentram grande parte da produção e da capacidade exportadora da avicultura brasileira.

Setor supera desafios logísticos e amplia presença global

Mesmo diante das incertezas no comércio internacional e das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio, o setor avícola brasileiro manteve forte desempenho nos mercados externos.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, os resultados demonstram a capacidade de adaptação da cadeia produtiva nacional, mesmo em um ambiente marcado por desafios logísticos e preocupações relacionadas às rotas marítimas ligadas ao Estreito de Ormuz.

De acordo com o dirigente, o Brasil conseguiu ampliar sua participação em mercados estratégicos como China, Japão, União Europeia e Coreia do Sul, ao mesmo tempo em que preservou sua presença tradicional no Oriente Médio e avançou em mercados emergentes.

O desempenho reforça a diversificação dos destinos da carne de frango brasileira e consolida a posição do país como um dos principais fornecedores mundiais de proteína animal, com capacidade de atender diferentes mercados e exigências sanitárias ao redor do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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