ARTIGOS
”A escola é palco, não a origem da violência”
ARTIGOS
Nos últimos dias, Mato Grosso foi palco de mais um crime que chocou o País. Assistimos com indignação e dor, a brutal agressão sofrida por uma adolescente de 12 anos dentro de uma escola estadual em Alto Araguaia. Espancada por colegas de turma, ela foi forçada a permanecer ajoelhada, sem chorar, sob ameaça de mais violência. A agressão foi gravada, publicada em redes sociais e revelou um grupo de alunas que se organizava como uma espécie de facção — com regras internas e um código de conduta calcado no medo, na humilhação e na força.
A cena choca. Mas, mais do que isso, ela revela uma falha coletiva: a escola, a família e a sociedade estão perdendo de vista a missão de formar seres humanos conscientes, empáticos e com virtudes. O resultado disso pode ser devastador, especialmente entre crianças e adolescentes.
A neurociência já demonstrou que o cérebro humano só atinge maturidade plena, total, por volta dos 25 anos. Durante a infância e adolescência, áreas responsáveis pela empatia, controle de impulsos, julgamento moral e tomada de decisões — como o córtex pré-frontal — ainda estão em desenvolvimento.
Isso significa que os jovens aprendem a sentir, pensar e agir com base naquilo que vivenciam repetidamente. Ambientes marcados por negligência emocional, violência doméstica, relações hierárquicas coercitivas ou ausência de limites seguros, modelam cérebros que aprendem a sobreviver pela dominação ou submissão. Não se trata apenas de “mau comportamento”, e sim, de uma arquitetura neural sendo moldada todos os dias.
No caso de Alto Araguaia, a promotoria identificou que algumas das meninas agressoras estavam, na verdade, reproduzindo dentro da escola aquilo que viviam em casa. Essa constatação nos obriga a ampliar o olhar: os agressores também são vítimas de uma cultura emocionalmente adoecida.
Diante disso, é urgente resgatar o papel da escola também como um dos principais ambientes formadores do caráter. Mais do que transmitir conteúdos curriculares, a escola deve ser um território de desenvolvimento emocional, social e ético. Um laboratório vivo de convivência.
A Abordagem Centrada nas Virtudes (ACV), como ferramenta de trabalho, ressalta que virtudes como: respeito, compaixão, empatia, humildade, honestidade e responsabilidade não são traços fixos. Elas são sementes que precisam ser cultivadas todos os dias com exemplos, diálogos, escuta ativa, mediação de conflitos e rituais de reconhecimento.
Ensinar virtudes é diferente de fazer discursos moralistas. Trata-se de oferecer experiências concretas em que o aluno possa: sentir-se pertencente; reconhecer os limites do outro e os seus; reparar erros sem ser anulado; experimentar o valor de agir com gentileza, mesmo diante da raiva. Esses são alguns dos pontos a serem trabalhados de forma conjunta, família e escola, para a construção não só de alunos, mas, seres humanos.
Nenhuma criança nasce violenta. Mas também, nenhuma criança se torna virtuosa sozinha. Nesse mister, a corresponsabilidade está entre escola e família, sim!
O que aconteceu em Mato Grosso não é um problema isolado da unidade escolar, tampouco só dos pais. É um retrato de desalinhamento entre dois pilares fundamentais da formação humana.
A escola precisa acolher e educar, sim. Mas também precisa estar conectada às famílias. É preciso resgatar o diálogo, o vínculo, a construção de valores em comum. A formação de uma personalidade saudável não se dá por um único agente, mas por uma teia relacional que ensina, sustenta e repara.
Por fim, se há famílias adoecidas, mais ainda a escola precisa de atenção e preparo com formação de professores (em inteligência emocional), rodas de virtudes, escuta ativa, projetos de convivência e, principalmente, presença adulta significativa no cotidiano dos alunos.
Momentos como esse, nos convocam a algo maior do que indignação momentânea. Nos obrigam a rever práticas, políticas e prioridades. O que aconteceu em Alto Araguaia é grave. Mas, pode se tornar um marco. Deve ser para nós um ponto de virada. Desde que saibamos transformar a dor em movimento, o choque em compromisso, e a Educação que não ensine apenas a pensar — mas a sentir, escolher e cuidar.
_Mariana Vidotto _ é mãe, Psicoterapeuta Familiar e Orientadora Parental, Especialista em Neurociência e Desenvolvimento Infantil, atua há 10 anos atendendo pacientes de 7 países diferentes E-mail: [email protected]
ARTIGOS
O amor que seu filho viverá no futuro está sendo aprendido dentro da sua casa
Por Mariana Vidotto
Junho costuma ser lembrado como o mês do amor. Entre celebrações, homenagens e reflexões sobre relacionamentos, surge uma pergunta que raramente ocupa espaço nas conversas: o que as relações dos adultos estão ensinando às crianças que convivem com elas?
Durante muito tempo, prevaleceu a ideia de que o mais importante para o desenvolvimento infantil era a permanência dos pais juntos. No entanto, a neurociência e a prática clínica vêm demonstrando uma realidade mais complexa e profunda. O que mais influencia a formação emocional de uma criança não é o estado civil dos pais, mas a qualidade dos vínculos e das relações que ela presencia diariamente.
Muito antes de compreender o significado da palavra amor, a criança já está aprendendo sobre ele. Aprende observando. Observa como os adultos se comunicam diante das diferenças, como enfrentam frustrações, como demonstram afeto e como lidam com os conflitos. Percebe se existe respeito, acolhimento e parceria ou se predominam críticas constantes, hostilidade, silêncio, indiferença e desprezo.
É a partir dessas vivências que se formam crenças profundas sobre si mesma, sobre os outros e sobre a maneira como os relacionamentos funcionam. A criança constrói, silenciosamente, referências que influenciarão sua autoestima, sua capacidade de estabelecer vínculos e até mesmo as escolhas afetivas que fará na vida adulta.
Por isso, permanecer em um relacionamento exclusivamente pelos filhos nem sempre representa a melhor decisão. Quando uma criança cresce em um ambiente marcado por conflitos constantes, desrespeito ou distanciamento emocional, ela também está aprendendo sobre amor. No entanto, aprende uma versão distorcida dele. Pode acreditar que amar significa suportar sofrimento, que relacionamentos são espaços inseguros ou que suas necessidades emocionais têm pouca importância.
Por outro lado, muitas crianças criadas por mães solo, pais solo, avós ou outros cuidadores desenvolvem uma estrutura emocional saudável porque convivem em ambientes seguros, previsíveis e afetivos. O fator determinante não é a configuração familiar, mas a presença de vínculos consistentes e emocionalmente saudáveis.
O que protege uma criança é a sensação de segurança construída nas relações do cotidiano. É saber que existem adultos emocionalmente disponíveis, capazes de oferecer acolhimento, estabilidade e uma base segura para que ela possa explorar o mundo e retornar quando precisar de apoio.
Neste Dia dos Namorados, talvez a reflexão mais importante não seja apenas sobre o relacionamento que desejamos viver, mas sobre o relacionamento que estamos ensinando nossos filhos a considerar normal. Afinal, as crianças aprendem muito menos com aquilo que os adultos dizem e muito mais com aquilo que os adultos vivem.
O modelo de amor que existe dentro de casa hoje pode se tornar a referência que seus filhos carregarão para o futuro. Por isso, vale refletir se o ambiente familiar tem sido um espaço de respeito, diálogo, segurança emocional e demonstrações saudáveis de afeto.
Nenhuma família é perfeita. Nenhum relacionamento está livre de desafios. Mas um dos maiores presentes que podemos oferecer às crianças é a oportunidade de crescer cercadas por relações que ensinem empatia, respeito, cooperação e amor saudável.
Porque, no fim das contas, o amor que seus filhos viverão amanhã está sendo aprendido dentro da sua casa hoje.
Mariana Vidotto é psicoterapeuta, mentora e palestrante, especialista em neurociência aplicada ao desenvolvimento humano e dinâmica familiar. Atua com acompanhamento terapêutico sistêmico de famílias, casais, adultos e crianças, auxiliando pessoas na transformação de padrões emocionais e na construção de relações mais saudáveis e conscientes
-
CUIABÁ5 dias atrásPrefeitura discute com TCE desafios financeiros e ampliação da rede de assistência em Cuiabá e Várzea Grande
-
FAMOSOS7 dias atrásLore Improta exibe ensaio de Levi em clima de Copa do Mundo: ‘Mini craque chegou’
-
Primavera do Leste7 dias atrásInauguração de terminal ferroviário consolida novo marco do desenvolvimento logístico para Primavera do Leste e Mato Grosso
-
Primavera do Leste7 dias atrásSaúde na Escola leva atendimento odontológico ao projeto Bombeiros do Futuro e reforça ações preventivas em Primavera do Leste
-
SAÚDE7 dias atrásMinistério da Saúde investe mais de R$ 22,4 milhões no fortalecimento a saúde indígena em Mato Grosso do Sul
-
CUIABÁ7 dias atrásPrefeitura convida famílias para lançamento da campanha Craques da Natureza no Parque Tia Nair
-
VÁRZEA GRANDE7 dias atrásAssistência técnica impulsiona produção de abacaxi e fortalece agricultura familiar em Várzea Grande
-
Sinop6 dias atrásSinop volta a sediar Jogos Escolares e Estudantis e reúne mais de 1,3 mil atletas de 15 municípios


