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Dia Internacional da Biodiversidade: Capobianco destaca protagonismo dos povos tradicionais na conservação biológica
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O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, participou, na última segunda-feira (18/5), da cerimônia de abertura do XII Seminário Brasileiro e VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social, realizado em Brasília (DF). A programação faz parte das comemorações da semana do Dia Internacional da Biodiversidade – celebrado nesta sexta-feira (22/5).
Com o tema “Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz”, os eventos buscam fortalecer a articulação entre conhecimentos tradicionais, acadêmicos e as políticas públicas. Além de buscar promover a governança territorial participativa e ampliar os debates sobre conservação ambiental com inclusão social. Estão presentes mais de 700 participantes entre pesquisadores, gestores públicos, representantes da sociedade civil, lideranças indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais do Brasil e da América Latina.
Durante o início das atividades, a artista indígena Majé Dyyakaripó realizou um canto de “Dabucuri”, uma celebração do Ano Novo dos povos do Alto Rio Negro, na língua Tuyuca.
Já na mesa de abertura do seminário e do encontro, Capobianco ressaltou o esforço do Governo do Brasil em construir políticas públicas voltadas a conservação ambiental com inclusão social em todo processo.
“Fizemos um esforço para entender o que um país como o Brasil, com a sua diversidade ambiental e cultural, tem a mostrar. Ou seja, como construir políticas que articulem povos e comunidades tradicionais, povos indígenas, povos quilombolas, ciência, universidade, ambientalistas, governo, e resulte em um processo inovador, em que a conservação ambiental não é antagônica ao desenvolvimento social. Ao contrário, eles são integrados”, disse o ministro.
Capobianco também relembrou a retomada de políticas ambientais, dos espaços de participação social e do fortalecimento das áreas protegidas, além da necessidade de consolidar mecanismos permanentes de valorização dos povos e comunidades, que contribuem historicamente para a proteção das florestas e da biodiversidade.
Também presente na cerimônia, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, destacou, especialmente, a importância das comunidades tradicionais na conservação das áreas protegidas brasileiras. “A temática da inclusão social nas áreas protegidas é extremamente importante para o país. O valor intrínseco da biodiversidade precisa ser considerado, e isso não é contraditório à inclusão social, pelo contrário”, refletiu.
Representando o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), órgão colegiado vinculado ao MMA, Ana Paula de Oliveira, deixou mensagem: “É nesses territórios que vivemos. Neles estão nossas histórias, nossa cultura e nossa ancestralidade. Nós somos esses territórios vivos!”.
Como parte do compromisso do MMA com a valorização da sociobiodiversidade e da participação social, o ministério apoia a presença de representantes indígenas e de povos e comunidades tradicionais beneficiários de projetos coordenados pela pasta, como o Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), GEF Áreas Privadas, GEF Mar e GEF Terrestre.
A mesa de abertura contou também com a presença da reitora da Universidade de Brasília (UnB), Rozana Naves Reigota, do diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB), Carlos Saito; do coordenador-geral da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), Flávio Diniz Gaspar Lontro; do secretário-geral do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Dione Torquato; e da representante da América do Sul no Conselho Mundial da UICN e diretora de Relações Institucionais do Instituto Ekos Brasil, Maria Cecília Wey Brito.
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MTE resgata duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em Santa Catarina
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria-Fiscal do Trabalho, resgatou duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em ações realizadas no estado de Santa Catarina (SC) durante o mês de maio. As operações ocorreram nos municípios de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, e em Florianópolis, e contaram com atuação conjunta de órgãos públicos de proteção aos direitos humanos e trabalhistas.
No município de Benedito Novo, a ação realizada em 12 de maio reuniu equipes da Auditoria-Fiscal do Trabalho do MTE, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU), além de profissionais das áreas de psicologia e assistência social. Durante a fiscalização, foi resgatada uma mulher de 40 anos submetida a mais de quatro décadas de exploração doméstica praticada pelos próprios familiares em uma propriedade rural da região.
As diligências foram iniciadas após denúncias sobre possíveis violações de direitos humanos e trabalhistas no local. Segundo informações da equipe de Auditoria-Fiscal do Trabalho, a vítima vivia em situação de trabalho forçado doméstico, submetida a jornadas exaustivas, condições degradantes e restrição de locomoção.
No início da operação, os familiares da trabalhadora resistiram à entrada das equipes e tentaram impedir o contato da fiscalização com a vítima. Mesmo diante da presença policial, houve ameaças aos agentes públicos, incluindo intimidações com uso de facas.
Após a contenção da situação, as equipes conseguiram conversar com a trabalhadora, que apresentava sinais de neurodivergência e forte temor de deixar a residência. De acordo com os relatos obtidos durante a fiscalização, ela realizava atividades domésticas permanentes desde a infância, sem remuneração, autonomia ou acesso a direitos trabalhistas.
O MTE também constatou condições precárias de habitação e fortes indícios de isolamento social. Relatos de moradores da região indicavam que a vítima raramente era vista fora da propriedade.
Na mesma propriedade, a fiscalização identificou ainda uma serraria funcionando de forma irregular, com trabalhadores sem registro formal e expostos a graves riscos de acidentes. Máquinas artesanais operavam sem proteção adequada, sem treinamento de segurança e sem fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Um dos trabalhadores informou atuar no local há mais de dois anos sem acesso a direitos trabalhistas. Segundo relatos colhidos pela fiscalização, a serraria contava com pelo menos cinco trabalhadores em situação informal.
Já em Florianópolis, em outra operação conjunta, a equipe de Inspeção do Trabalho identificou, no início de maio, uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, submetida a condições análogas à escravidão em uma residência localizada em condomínio fechado no bairro Rio Tavares.
A fiscalização constatou indícios de jornadas exaustivas, violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade. A vítima havia sido contratada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por intermédio de uma empresa estrangeira de serviços domésticos identificada como Maids Domestic Workers Services L.L.C., e trazida ao Brasil por um casal formado por um homem brasileiro e uma mulher árabe, sem visto de trabalho regular.
Segundo relatos colhidos durante o atendimento, a trabalhadora era submetida a jornadas diárias das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana, acumulando atividades de limpeza, preparo de alimentos, cuidados com os filhos da família e com os animais de estimação da residência.
A vítima relatou episódios constantes de violência psicológica, verbal e moral, marcados por gritos, insultos, ameaças e intimidações. Também foram relatadas tentativas de agressão física e arremessos de objetos em sua direção, criando um ambiente permanente de medo e pressão emocional.
Os empregadores também retiveram os documentos pessoais da trabalhadora, incluindo o passaporte, restringindo sua liberdade de locomoção e dificultando qualquer possibilidade de busca por ajuda. Temendo por sua integridade física, a vítima fugiu da residência durante a noite levando apenas as roupas do corpo e um aparelho celular.
Após horas perambulando pelas ruas, conseguiu pedir ajuda utilizando ferramentas de tradução no celular para se comunicar com pessoas que encontrou pelo caminho. A trabalhadora foi inicialmente acolhida pela rede pública de segurança, saúde e assistência social, que posteriormente acionou o MTE para atendimento especializado.
Durante o atendimento, a vítima informou desejar interromper imediatamente a relação de trabalho em razão das violências sofridas, da carga horária excessiva e da privação de liberdade. Ela também relatou que os empregadores condicionavam a devolução de seus documentos e pertences pessoais ao pagamento de supostas dívidas relacionadas a passagens aéreas, emissão de visto, alimentação e outras despesas.
As equipes do MTE e da rede de acolhimento confirmaram que, mesmo após a fuga, a trabalhadora continuou recebendo mensagens intimidatórias e acusações falsas por parte dos empregadores. Sem rede de apoio no Brasil e desconhecendo seus direitos, a vítima apresentava forte abalo emocional no momento do acolhimento pelos órgãos públicos.
Nos dois casos, as trabalhadoras resgatadas foram encaminhadas para atendimento especializado nas áreas de saúde, assistência social e apoio psicossocial. Os órgãos responsáveis também adotaram as providências cabíveis para investigação e responsabilização dos envolvidos.
O Ministério do Trabalho e Emprego reforça que o combate ao trabalho análogo ao de escravo tem como objetivo proteger a dignidade humana e assegurar condições mínimas de liberdade, saúde e segurança aos trabalhadores. A prática pode ser caracterizada não apenas pela restrição física de liberdade, mas também por jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, retenção de documentos, violência psicológica e mecanismos de coação que impeçam a autonomia da vítima.
Denúncias
Casos de trabalho análogo ao de escravo podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ferramenta fortalece o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.
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