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Estudantes indígenas podem ingressar na pós-graduação com apoio da Capes
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Estudantes indígenas interessados em fazer mestrado ou doutorado podem consultar a lista de programas de pós-graduação (PPGs) participantes do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena (PDAI). A relação está disponível no portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e informa os programas que aderiram ao Edital nº 23/2026 e a quantidade de bolsas destinada a cada um.
A lista permite identificar as oportunidades disponíveis em instituições de todas as regiões do país. O documento informa a instituição de educação superior; o nome do programa; o município e o estado onde está localizado; o e-mail para contato; e o número de bolsas.
Ao todo, são 325 bolsas, sendo 214 para mestrado e 111 para doutorado. O edital previa inicialmente 300 bolsas. Outras 25 foram acrescentadas durante a distribuição, em razão de empates entre programas na última posição classificatória.
A Capes incentiva, ainda, que os estudantes indígenas considerem, em seus processos de escolha e candidatura, também os PPGs participantes do PDAI que, neste momento, não foram contemplados com bolsas, uma vez que a participação desses programas permanece ativa no âmbito da iniciativa.
Estudantes podem consultar as oportunidades – Nesta fase, estudantes indígenas podem verificar quais programas participam do PDAI. A consulta à relação ajuda o candidato a identificar as possibilidades de formação e os contatos dos programas de interesse.
As bolsas estão distribuídas pelas cinco regiões. O Norte ficou com 135 bolsas; o Nordeste, com 95; o Centro-Oeste, com 48; o Sudeste, com 32; e o Sul, com 15.
A distribuição considerou critérios previstos no Edital nº 23/2026, como a proporção da população indígena no município onde está localizado o programa, a nota do PPG na última avaliação quadrienal e o número de disciplinas com temática indígena.
Todos os programas seguem no processo – A relação divulgada apresenta todos os PPGs que aderiram ao PDAI, inclusive aqueles que não receberam bolsa nesta etapa. Por isso, é importante que os programas participantes continuem acompanhando e cumprindo as próximas fases da seleção.
A quantidade de bolsas poderá ser alterada ao longo da execução do edital. Eventuais bolsas não ocupadas poderão ser remanejadas, observados o volume de inscrições e as regras estabelecidas para o processo seletivo. Além disso, poderá haver eventual ampliação do número de bolsas, condicionada ao interesse institucional e à disponibilidade orçamentária. Nesse sentido, a Capes está buscando alternativas para ampliar as fontes de financiamento do PDAI, inclusive por meio de tratativas com Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) e outros potenciais parceiros, com vistas à possível suplementação de recursos e à ampliação do número de bolsas disponíveis.
Confira aqui a relação completa dos PPGs participantes e a quantidade de bolsas.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Capes
Fonte: Ministério da Educação
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Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
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