VÁRZEA GRANDE
Prefeita destaca luta feminina e anuncia novas políticas públicas em Sessão Solene do Título “Sarita Baracat”
VÁRZEA GRANDE
Moretti elencou ainda as ações realizadas durante o mês da mulher, como os mutirões de laqueadura, colocação de DIU e cirurgias de catarata, reforçando a importância da saúde integral feminina
“Falar da mulher em um dia de luto é muito triste. A morte de Emelly nos lembra que ainda há muito a ser feito. Sua filha, que sobreviveu, não precisará ir para uma casa-lar porque tem avós e um pai, mas quantas outras crianças ficam órfãs pela violência de gênero? Eu estive no velório e disse à mãe dela: sua filha não morreu em vão. Junte-se a nós na luta contra a violência contra a mulher. Esse crime foi um feminicídio contra Emelly e uma tentativa de feminicídio contra sua bebê. Hoje, mais do que comemorar, precisamos refletir: onde estamos falhando? Na educação? Na família? Na fé? Uma delegacia 24 horas evitaria essa morte? O que impediria esse crime é educação, respeito e dignidade ao outro, independentemente da cor, raça ou gênero”.
Com essa fala impactante, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), abriu seu discurso na Sessão Solene do Título “Sarita Baracat”, realizada na noite desta sexta-feira (14), na Câmara Municipal de Vereadores. Em meio às homenagens às mulheres que fazem a diferença na cidade, o evento também se tornou um espaço de indignação e cobrança por medidas mais efetivas contra a violência de gênero.
“Já fui agraciada com o título ‘Sarita Baracat’ e me sinto honrada porque conheço a história dessa grande mulher. Hoje, digo a todas vocês: não desistam dos seus sonhos. Agarrem suas oportunidades. Podemos ocupar espaços de poder sem precisar nos masculinizar. Podemos ser líderes, tomar decisões e, ao mesmo tempo, sermos femininas”.
Um evento marcado por homenagens e cobranças – Logo no início da cerimônia, o presidente da Casa, vereador Wanderley Cerqueira, pediu um minuto de silêncio em memória da jovem Emelly Azevedo Sena, de 16 anos, brutalmente assassinada nesta semana. A adolescente, moradora de Várzea Grande, teve sua filha arrancada do ventre, um crime que chocou a cidade. O vereador Wender Madureira prestou uma homenagem póstuma à vítima, ressaltando a urgência de políticas públicas mais eficazes para combater a violência contra as mulheres.
A vereadora Gisa Barros destacou os avanços nos direitos femininos, mas alertou sobre a necessidade de medidas mais rigorosas contra o feminicídio e cobrou a implementação de uma Delegacia da Mulher funcionando 24 horas em Várzea Grande. Ao final de sua fala, dirigiu-se à prefeita Flávia Moretti, pedindo que as leis municipais voltadas às mulheres sejam efetivamente aplicadas.
A solenidade, presidida pela primeira-secretária da Mesa Diretora da Câmara, vereadora Rosy Prado, teve uma composição exclusivamente feminina na mesa de honra, reforçando a importância da representatividade da mulher na política. Karen Rangel, esposa do vice-prefeito Tião da Zaeli, também fez um discurso destacando que as mulheres devem ser parceiras dos homens na política e na sociedade, sem necessidade de competição, mas complementando-se para uma construção conjunta.
A necessidade de infraestrutura adequada para atender mulheres vítimas de violência também foi levantada por Mariana Barão, representante do Tribunal de Contas e da advocacia de Várzea Grande. Ela cobrou a instalação de um Instituto Médico Legal (IML) no município, uma vez que, atualmente, as vítimas precisam se deslocar até Cuiabá para realizar exames de corpo de delito.
A diretora da Câmara, Lorineide Hiã, homenageou as agraciadas da noite, lembrando que o título leva o nome de Sarita Baracat, a primeira mulher a governar Várzea Grande. “Ela foi uma desbravadora, enfrentou desafios em uma época muito mais difícil para as mulheres. Hoje, seguimos seu legado”.
A vereadora Rosy Prado, que conduziu a sessão, enfatizou a importância da união feminina. “Temos três vereadoras nesta Casa e uma prefeita na cidade, um grande orgulho. A violência política contra as mulheres diminuirá quando formos mais unidas. Mulher apoia mulher. Nós só queremos respeito”.
Novos rumos para as políticas públicas em Várzea Grande – Em seu pronunciamento, a prefeita Flávia Moretti anunciou medidas importantes para a cidade, incluindo a criação da secretaria municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, que será apresentada ainda este ano à Câmara Municipal. A iniciativa visa captar recursos federais para fortalecer ações voltadas às mulheres, além de viabilizar a instalação da Casa da Mulher Brasileira em Várzea Grande, um projeto que já conta com o apoio da deputada Janaína Riva.
A prefeita também destacou as ações realizadas durante o mês da mulher, como os mutirões de laqueadura, colocação de DIU e cirurgias de catarata, reforçando a importância da saúde integral feminina. Segundo ela, investir na prevenção é mais barato do que ampliar creches e escolas para atender uma demanda crescente de mães jovens sem estrutura para criar seus filhos.
Além disso, Flávia Moretti afirmou que buscará para Várzea Grande um IML próprio e trará o serviço de perícia para vítimas de violência doméstica ainda este ano, além da tão reivindicada Delegacia da Mulher funcionando 24 horas.
À noite, que começou em tom de luto, terminou com um chamado à ação: a luta por uma cidade mais segura, mais justa e com mais oportunidades para todas as mulheres de Várzea Grande.
VÁRZEA GRANDE
Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença
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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.
No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.
Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.
Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.
SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.
Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos
doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.
Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.
“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.
MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.
Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.
“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.
SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.
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