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Projeto internacional articula plano de cinco anos para reduzir poluição plástica em cidades costeiras brasileiras

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Embalagens plásticas de alimentos e bebidas — como garrafas, tampas, copos, canudos, talheres e embalagens de delivery — são o tipo de lixo mais encontrado nas zonas costeiras do mundo. O estudo que chegou a essa conclusão analisou 94 países e foi publicado em 2026 na revista científica One Earth. Os resíduos apareceram em 93% das áreas analisadas.  

A questão é o centro de atuação do Plastic Reboot, projeto internacional que chegou oficialmente ao Brasil e está no início da fase de implementação. O objetivo é lidar com a poluição plástica não apenas como um problema ambiental, mas como um desafio de infraestrutura, logística, mercado e política pública, trabalhando a economia circular na prática, não só no discurso. A primeira reunião do Comitê Gestor ocorreu nquinta-feira (21), no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).  

A iniciativa vai orientar, pelos próximos cinco anos, ações de redução da poluição plástica em cidades costeiras brasileiras por meio de projetos-piloto, incentivos econômicos e estratégias de economia circular — modelo socioeconômico focado em manter produtos e materiais em uso pelo maior período possível — voltadas ao uso de plásticos no setor Horeca, que une hotéis, restaurantes e cafés. 

O coordenador de Mar e Antártica da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do MCTI, Leandro Viegas, afirma que o objetivo do projeto é estabelecer o diálogo transversal entre o poder público, a sociedade civil, a academia e o setor produtivo das cidades, para identificar as necessidades do território em torno da poluição plástica e trabalhar em cima delas, na articulação por soluções. “A gente pensa muito no legado, que é não ser uma solução endógena para o projeto, mas que seja uma oportunidade de a gente multiplicar isso para outras cidades, outras regiões do Brasil”, afirmou. 

O que será feito 

Foram escolhidas quatro capitais costeiras brasileiras — Belém (PA), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC) — e a Baixada Santista (SP) — Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Monguagá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. A estratégia deverá combinar incentivos positivos, mecanismos regulatórios e critérios técnicos para certificações e selos, buscando estimular práticas sustentáveis de maneira mais efetiva.  

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Um dos exemplos citados durante os debates foi a dificuldade de hotéis em Salvador em substituir garrafas plásticas por embalagens de vidro devido à ausência de fornecedores locais. Para os participantes, gargalos logísticos e econômicos como esse demonstram a necessidade de envolver indústria, distribuidoras, consumidores e gestores públicos na construção das soluções. 

“Nossa intenção é trazer todos juntos para esse processo de construção coletiva, para pensar em soluções concretas para mitigar o uso do plástico dos municípios”, afirmou a coordenadora-geral de Ciências para Oceano e Antártica da Seppe, Andrea Cancela da Cruz. Segundo ela, a iniciativa está alinhada às ações da Década da Ciência Oceânica e às estratégias da pasta voltadas ao combate da poluição plástica nos oceanos. “A nossa liderança nesse sentido é trazer a ciência para a política pública, para tomar a decisão”, finalizou. 

A participação brasileira foi oficialmente anunciada em outubro de 2025, durante a primeira Conferência Anual Plastic Reboot, em Salvador (BA), que contou com a presença de representantes dos 15 países participantes. 

A representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Isabelle Vanderbeck, ressaltou o destaque brasileiro na ação. Segundo ela, o Brasil se destaca pela dimensão territorial e poderá trocar conhecimentos com os demais países integrantes. “É importante destacar que este é um programa integrado. O Brasil está adicionando valor e vai se beneficiar das experiências de outros países nesse conjunto de conhecimentos. Todos estão se apoiando com informações, conhecimentos e experiências”.  

Segundo o coordenador técnico do projeto, Marcos Albuquerque, o Plastic Reboot atua diretamente na melhoria do turismo, saúde e qualidade de corpos hídricos. “Muito além disso, o projeto gera um aumento de consciência das pessoas em relação à questão da poluição plástica, o que fazer em relação a isso, e o desenvolvimento dessas soluções”, resume.  

Aproximação com as cidades 

Entre março e abril deste ano, o projeto promoveu workshops de reengajamento nas cidades participantes para mapear desafios locais relacionados ao consumo e descarte de plásticos de uso único. Segundo os organizadores, a proposta não é proibir o plástico, mas construir soluções viáveis técnica e economicamente, considerando diferentes atores da cadeia produtiva. 

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“O projeto quer apoiar soluções que já estejam acontecendo, que já estão no mercado, mas que precisam de um impulso maior”, explicou Marcos Albuquerque. Segundo ele, as ações devem envolver desde mudanças regulatórias até campanhas de conscientização e incentivo a novos modelos de consumo. 

Durante a reunião, representantes destacaram que a maior parte dos recursos será destinada à implementação dos projetos-piloto e às campanhas de sensibilização e capacitação do setor. O objetivo é criar condições para que experiências bem-sucedidas possam ser replicadas em outras cidades brasileiras. 

A proposta também prevê integração com políticas públicas já em desenvolvimento no Governo do Brasil. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por exemplo, pretende utilizar parte das experiências do Plastic Reboot como subsídio para a Estratégia Nacional de Economia Circular, liderada pela pasta. “A gente vê o projeto com muita esperança de que mexa no setor. Pode servir de inspiração para essa mobilização mais geral, visando alterar padrões de consumo”, afirmou o coordenador-geral de Bioeconomia e Economia Circular do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Rodrigo Bonecini 

Os próximos cinco anos 

Chamado oficialmente de Ecossistema de Inovação para a Circularidade no Uso dos Plásticos, o Plastic Reboot Brasil será executado durante cinco anos e conta com a coordenação-executiva do MCTI, por meio da Seppe, é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementado pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) em parceria com o Pnuma e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).  Além disso, articula diretamente com o Ministério do Meio Ambiente, MDIC, Ministério do Turismo, Ministério das Relações Exteriores e Ministério das Cidades.  

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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