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FMI vê economia brasileira resiliente, defende cautela nos juros e projeta crescimento sustentável no médio prazo

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a manutenção de uma política monetária flexível no Brasil é adequada diante do atual cenário de incertezas globais e das novas pressões inflacionárias provocadas pela alta dos preços internacionais da energia. A análise foi divulgada nesta segunda-feira (1º) após missão técnica da instituição ao país.

Segundo o organismo, a economia brasileira continua demonstrando capacidade de resistência mesmo diante de um ambiente marcado por choques externos, volatilidade nos mercados internacionais e desafios fiscais domésticos. O FMI estima que o crescimento econômico brasileiro deverá convergir para uma taxa próxima de 2,5% no médio prazo.

Agropecuária segue como um dos pilares do crescimento

O relatório destaca que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária e da indústria, além da recuperação gradual do consumo das famílias.

A avaliação reforça o papel estratégico do agronegócio na sustentação da atividade econômica brasileira, especialmente em um contexto global de instabilidade geopolítica e desaceleração de importantes economias.

Apesar do resultado positivo no início do ano, o FMI projeta uma moderação no ritmo de crescimento nos próximos trimestres, com retomada mais consistente prevista para 2026.

Banco Central recebe aval para estratégia de juros

O Fundo também analisou a condução da política monetária brasileira e considerou apropriadas as duas reduções de 0,25 ponto percentual promovidas pelo Banco Central neste ano, que levaram a taxa Selic para 14,50% ao ano.

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De acordo com a instituição, as decisões foram compatíveis com o regime de metas de inflação adotado pelo país e refletiram o equilíbrio entre o controle dos preços e a necessidade de apoiar a atividade econômica.

Ainda assim, o FMI ressaltou que o atual ambiente exige prudência por parte da autoridade monetária, especialmente diante dos impactos econômicos decorrentes dos conflitos no Oriente Médio e da recente valorização das commodities energéticas.

Alta da energia volta a pressionar a inflação

Após registrar desaceleração no início de 2026, a inflação brasileira voltou a apresentar sinais de pressão nos últimos meses, influenciada principalmente pela elevação dos preços globais de energia.

Na avaliação do Fundo, o movimento tende a ser temporário, mas poderá manter os índices inflacionários acima do desejado no curto prazo.

A expectativa da instituição é que a inflação continue avançando nos próximos meses antes de retornar gradualmente à meta oficial de 3%, processo que deverá ocorrer apenas até meados de 2028.

Brasil está relativamente protegido da crise do petróleo

Mesmo diante da escalada das tensões geopolíticas envolvendo países produtores de petróleo, o FMI considera que o Brasil possui uma posição relativamente favorável quando comparado a outras economias.

O relatório destaca que o país é exportador líquido de petróleo e possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com forte participação de fontes renováveis na geração de eletricidade.

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Essa característica reduz a vulnerabilidade da economia brasileira aos choques internacionais de energia e contribui para amenizar os impactos sobre custos de produção e inflação.

FMI cobra continuidade do ajuste fiscal

Embora reconheça os avanços econômicos recentes, o Fundo Monetário Internacional alertou que o fortalecimento das contas públicas deve continuar sendo prioridade para o governo brasileiro.

Entre as recomendações estão o direcionamento das receitas extraordinárias provenientes do setor petrolífero para a redução da dívida pública, o aumento da eficiência da arrecadação e a revisão de mecanismos que aumentam a rigidez dos gastos públicos.

Segundo o organismo, essas medidas podem melhorar a sustentabilidade fiscal do país, reduzir os custos de financiamento da dívida e ampliar a capacidade de investimento em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico.

Perspectivas para os próximos anos

As projeções mais recentes do FMI apontam crescimento de 1,9% para a economia brasileira em 2026 e expansão de 2,0% em 2027. No médio prazo, entretanto, a expectativa é de estabilização em torno de 2,5% ao ano.

Para os analistas da instituição, a combinação entre estabilidade macroeconômica, controle da inflação, responsabilidade fiscal e fortalecimento dos setores produtivos — com destaque para o agronegócio — será determinante para sustentar o crescimento econômico brasileiro nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do leite UHT dispara mais de 20% no Sudeste e amplia pressão sobre a cesta básica em abril

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Os consumidores sentiram no bolso o aumento dos preços de alimentos essenciais em abril. Levantamento realizado pela Neogrid apontou que o leite UHT liderou as altas nos supermercados brasileiros, refletindo uma menor oferta de matéria-prima e pressionando ainda mais o custo da cesta básica.

De acordo com o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, o preço médio do leite UHT avançou 18,3% no país durante o mês, passando de R$ 4,75 em março para R$ 5,62 em abril. Na região Sudeste, principal mercado consumidor do país, a valorização foi ainda mais expressiva, alcançando 20,19%.

Menor captação de leite sustenta alta dos preços

A escalada dos preços está diretamente relacionada à redução da produção nacional de leite. Dados do Índice de Captação de Leite (ICAP-L) mostram que a coleta recuou 3,9% entre fevereiro e março, acumulando queda de 11,1% no primeiro trimestre de 2026.

Entre os fatores que explicam o cenário estão a menor disponibilidade de pastagens durante o período e a cautela dos produtores diante das margens mais apertadas observadas ao longo de 2025.

A combinação entre oferta reduzida e demanda constante elevou os preços dos lácteos no varejo, tornando o leite um dos principais responsáveis pela inflação alimentar registrada no mês.

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Feijão, pão e legumes também ficaram mais caros

Além do leite, outros produtos básicos da alimentação apresentaram aumento de preços em abril.

Os queijos registraram alta de 2,4%, passando de R$ 63,61 para R$ 65,12. O feijão avançou 2,1%, enquanto os legumes tiveram valorização de 2%. Já o pão apresentou aumento de 1,8% no período.

Segundo Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, os reajustes estão concentrados justamente em categorias mais sensíveis às condições climáticas e à sazonalidade da produção.

“O comportamento dos preços mostra uma pressão concentrada em produtos essenciais da alimentação, especialmente lácteos e hortifrúti, exigindo maior atenção dos consumidores na composição das compras”, avalia.

Legumes lideram inflação alimentar em 2026

No acumulado entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os legumes aparecem como os produtos com maior valorização no varejo alimentar brasileiro.

O grupo registrou alta de 25,3%, com o preço médio passando de R$ 5,50 para R$ 6,89. Em seguida aparecem:

  • Leite UHT: +21,7%;
  • Feijão: +20,5%;
  • Ovos: +13,4%;
  • Carne bovina: +6,6%.

Os números reforçam a pressão sobre os itens que compõem a base da alimentação das famílias brasileiras.

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Sudeste registra altas e quedas relevantes em abril

Na análise regional, o Sudeste apresentou comportamento misto entre alimentos e produtos de consumo diário.

As maiores altas registradas foram:

  • Leite UHT: +20,19%;
  • Pão: +4,1%;
  • Creme dental: +1,6%;
  • Água sanitária: +1,6%;
  • Arroz: +1,4%.

Por outro lado, algumas categorias apresentaram alívio nos preços ao consumidor:

  • Carne suína: -5,9%;
  • Ovos: -4,8%;
  • Açúcar: -3,1%;
  • Café em pó e em grãos: -3%;
  • Desinfetante: -1,8%.
Mercado deve seguir atento à oferta e ao clima

A expectativa para os próximos meses é de continuidade da volatilidade em produtos mais dependentes das condições climáticas e da oferta agrícola, especialmente lácteos, hortifrúti e itens básicos da alimentação.

Em contrapartida, categorias industrializadas e algumas proteínas tendem a apresentar maior estabilidade, favorecidas pela competição entre varejistas e pela acomodação dos custos de produção.

O comportamento desses mercados continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre a inflação dos alimentos ao longo de 2026, impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras e as estratégias da cadeia de abastecimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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