BRASIL
Nova política sobre drogas do Brasil é apresentada em evento das Nações Unidas
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Brasília, 10/03/2025 – A política sobre drogas implementada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), será apresentada na 68ª sessão da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas (CND, sigla em inglês). O evento começa nesta segunda-feira (10) e segue até sexta-feira (14), na sede do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), em Viena, na Áustria.
A nova política brasileira sobre drogas vem sendo construída pela Senad desde 2023, com base em três principais áreas: desenvolvimento alternativo sustentável; prevenção ampliada; e redução de danos atrelada ao acesso a direitos e à perspectiva de justiça social.
A comitiva brasileira que está na Áustria apresentará propostas de resoluções na plenária de abertura, organizará painéis e participará de eventos que discutem assuntos estratégicos para a política sobre drogas nas perspectivas nacional e internacional. O grupo é formado por integrantes da Senad e do Ministério das Relações Exteriores.
Durante o evento, o Brasil apresentará o texto-base de uma nova resolução que relaciona, de forma pioneira, política sobre drogas e meio ambiente. Construído em articulação com a França e o Marrocos, o material destaca a responsabilidade compartilhada entre os países e é visto pela Senad como instrumento importante para o avanço e a consolidação de políticas e práticas internacionais que façam frente à expansão do narcotráfico na Amazônia.
Nesta segunda-feira (10), a titular da Senad, Marta Machado, inicia a participação da pasta nos painéis da CND na mesa Política Ambiental e Políticas de Drogas: Rumo a uma Mudança de Paradigma, promovida pelo governo da Colômbia. Ao todo, a secretaria estará presente como organizadora ou convidada em pelo menos 15 painéis.
“No evento que estamos propondo, sobre redução de danos na perspectiva latino-americana, trazemos a perspectiva social, e essa ampliação do debate vem na esteira da resolução aprovada ano passado, proposta pelos Estados Unidos, que a gente apoiou, copatrocinou, sobre redução de danos”, afirma Marta. Porém, ela explica que se tratava de um texto muito focado no contexto norte-americano da epidemia de overdoses de fentanil.
Durante o CND, a Senad vai “abordar a redução de danos a partir do que estamos construindo e nessa busca pela redução de vulnerabilidades sociais e de saúde, que é o nosso modelo, alinhado ao de Portugal”, completa a secretária.
Eventos paralelos propostos pela Senad
Entre os destaques da programação, estão três eventos paralelos, propostos pela Senad, com foco na política de drogas implementada no Brasil.
O primeiro encontro, na terça-feira (11), terá como tema Desenvolvimento Alternativo: Enfrentando Desigualdades Estruturais Agravadas pelas Políticas de Drogas e Oportunidades para Mudanças Positivas. Organizado com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), vai promover debates sobre desenvolvimento alternativo nas políticas de drogas, com foco nos territórios com desigualdades sistêmicas, crime organizado e vulnerabilidades sociais e econômicas.
Na ocasião, também serão apresentadas iniciativas de prevenção implementadas pela Senad no Brasil, como o Cria: Prevenção e Cidadania e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) Juventude.
No mesmo dia, ocorrerá o painel Políticas sobre Drogas e Povos Indígenas: Fortalecendo a Resiliência Comunitária por meio de uma Abordagem Baseada nos Direitos Humanos e Desenvolvimento Alternativo na Região Amazônica. Ele será promovido pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário e é uma iniciativa da Senad em parceria com o Unodc e o Pnud.
Com foco no desenvolvimento alternativo e no acesso a direitos para populações indígenas nas políticas de drogas, especialmente na Região Amazônica, o evento destaca a Estratégia Nacional para Povos Indígenas na Política de Drogas. Além da secretária Marta Machado, haverá participação da presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, e uma apresentação virtual de lideranças indígenas.
O terceiro encontro, na quarta-feira (12), intitulado Reimaginando Políticas sobre Drogas: a Construção de Políticas Públicas de Redução de Danos em Defesa da Saúde e dos Direitos Humanos, abordará o lançamento dos Centros de Acesso aos Direitos e Inclusão Social (Cais), que utilizam uma abordagem de redução de danos para enfrentar barreiras estruturais na saúde, proteção social e justiça.
CND
A CND é o organismo central de formulação de políticas sobre drogas dentro do Sistema das Nações Unidas. Além de adotar novas resoluções a nível global, a comissão é o principal espaço de discussão e análise sobre a situação mundial das drogas, com programação extensa de eventos paralelos temáticos, exposições e reuniões entre gestores públicos, sociedade civil e especialistas de todo o mundo. Nesse contexto, os países têm a oportunidade de pautar o debate, apresentar suas políticas nacionais e avançar na cooperação internacional.
BRASIL
MEC homologa parecer sobre ano letivo na Copa Feminina
O Ministério da Educação (MEC) homologou, na terça-feira (8), o Parecer CNE/CEB nº 7/2026, do Conselho Nacional de Educação (CNE), que orienta a organização dos calendários escolares de 2027 em razão da Copa do Mundo Feminina da FIFA no Brasil. O documento regulamenta a aplicação do artigo 67 da Lei nº 15.421/2026, sugerindo a adequação das férias escolares ao período do torneio e preservando a autonomia das redes de ensino.
A manifestação atende a consultas formais apresentadas por entidades representativas do setor educacional e de gestores estaduais e municipais — Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (Foncede), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) e Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). O objetivo do ato é garantir segurança jurídica, coesão e uniformidade de orientação para as redes de ensino públicas e privadas de todo o país.
Adequação e impacto territorial – A Copa do Mundo Feminina ocorrerá entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027. Com base no mapeamento do evento, a competição afetará diretamente oito unidades federativas (MG, CE, RS, PE, RJ, BA, SP e DF) e cerca de 174 municípios que integram as regiões metropolitanas ou áreas de influência direta das oito cidades-sede: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
De acordo com a orientação homologada pelo MEC, as regras de organização do calendário letivo de 2027 ficam divididas segundo o nível de impacto local:
- Municípios-sede e regiões impactadas: Os sistemas de ensino das cidades que receberão partidas, bem como os de suas respectivas regiões metropolitanas ou áreas diretamente afetadas, deverão realizar os ajustes necessários em seus calendários escolares. A adequação do período das férias subsequente ao encerramento do primeiro semestre precisa observar o período oficial da competição.
- Demais municípios do país: As redes estaduais e municipais de ensino que não sofrerem impacto direto do torneio têm assegurada a autonomia para decidir sobre a adoção, total ou parcial, da adequação das férias, conforme suas realidades socioeconômicas, climáticas e pedagógicas.
Harmonização legal – A fundamentação do parecer baseia-se na articulação entre a Lei da Copa do Mundo Feminina (Lei nº 15.421/2026) e o artigo 23, § 2º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996). A LDB autoriza a adaptação do calendário escolar às peculiaridades locais, sem afastar a exigência de cumprimento dos 200 dias de efetivo trabalho escolar e da carga horária mínima anual obrigatória.
O parecer esclarece, ainda, que as orientações se aplicam inclusive aos cursos de qualificação profissional e de educação profissional técnica de nível médio previstos na LDB.
O CNE ressaltou que as regras referentes à Copa do Mundo FIFA de 2014 possuíam caráter temporário e vigência limitada àquele ano, tornando necessária a emissão do novo regramento para o torneio de 2027. A decisão homologada entra em vigor na data de sua publicação.
Assessorias de Comunicação Social do MEC e do MEsp, com informações do CNE
Fonte: Ministério da Educação
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