VÁRZEA GRANDE
Capacitação em hanseníase amplia diagnóstico e identifica 42 novos casos em Várzea Grande
VÁRZEA GRANDE
O que poderia ser apenas mais uma consulta de rotina acabou contribuindo para uma avaliação mais detalhada do tratamento de uma paciente com hanseníase em Várzea Grande. Sueli Alves da Rosa já fazia acompanhamento contra a doença e procurou a unidade de saúde durante uma capacitação realizada pela rede municipal para saber se já poderia receber alta da medicação.
Durante a avaliação, os profissionais entenderam que ainda era necessário manter o tratamento e o acompanhamento. A decisão foi tomada a partir da análise do quadro clínico da paciente, que deverá retornar à unidade para uma nova avaliação dentro do período definido pela equipe médica.
A situação de Sueli é um exemplo de como a capacitação aproxima o conhecimento técnico da realidade dos pacientes. Ao longo da atividade, os profissionais puderam avaliar casos reais, discutir condutas e aprofundar a identificação de sinais da doença, alterações neurológicas, reações hansênicas, recidivas e a necessidade de acompanhamento.
Realizada nas Unidades de Saúde da Família (USFs) dos bairros Parque do Lago e Maringá, a capacitação resultou em 108 atendimentos e na identificação de 42 novos casos de hanseníase. Do total, 36 foram registrados em adultos e seis em crianças menores de 15 anos. Também foram identificadas 11 recidivas — retorno da doença — ou outros reingressos.
O número de casos encontrados mostra a importância da avaliação dermatoneurológica e da busca ativa dentro da Atenção Primária. Entre os pacientes avaliados, também foram identificados casos com diferentes graus de incapacidade física (GIF): 15 pacientes com GIF 0, 23 com GIF 1 e 15 com GIF 2.
Os casos de crianças menores de 15 anos chamam atenção porque exigem uma investigação mais cuidadosa dos contatos e do histórico epidemiológico, além do acompanhamento pela equipe de saúde.
Conhecimento compartilhado entre municípios
Além dos profissionais de Várzea Grande, participaram da capacitação trabalhadores dos municípios de Chapada dos Guimarães, Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio do Leverger, Poconé e Nova Brasilândia, ampliando a troca de experiências entre as equipes que atuam no enfrentamento da hanseníase.
Ao todo, 23 profissionais de Várzea Grande participaram diretamente da capacitação: 10 enfermeiros, 12 médicos e um dentista. A atividade foi conduzida pela enfermeira especialista Adriana de Oliveira Matos, responsável técnica pela Linha de Cuidado da Hanseníase e pelas equipes do Ambulatório de Atenção Especializada e Regionalizado em Hanseníase (AAER), localizado no Centro de Especialidade em Saúde, conhecido como Postão.
Mais do que atualizar conhecimentos, a proposta foi levar os profissionais para dentro da realidade do atendimento. A partir dos casos encontrados nas próprias unidades, foi possível discutir diagnóstico, tratamento, avaliação dos nervos periféricos, prevenção de incapacidades e acompanhamento dos pacientes.
A orientação dos profissionais é que os pacientes em tratamento mantenham o acompanhamento e retornem às consultas mesmo quando percebem melhora. A hanseníase pode provocar alterações nos nervos e incapacidades físicas, e a avaliação regular permite identificar essas mudanças e agir antes que os danos se agravem.
A experiência reforça o papel das unidades de saúde como porta de entrada para o diagnóstico e o acompanhamento da hanseníase e mostra que, muitas vezes, uma avaliação cuidadosa pode fazer a diferença na condução do tratamento.
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Estudantes de Medicina levam orientações sobre saúde e prevenção a alunos de escola em Várzea Grande
Informação, prevenção e conhecimento também fazem parte da rotina escolar. Estudantes do 4º ano de Medicina do Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG), que realizam estágio na unidade de saúde da família (ESF) do bairro Campo Michel, levaram parte dessa experiência para dentro da escola durante uma palestra educativa com alunos da EMEB Irenice Godoy.
A atividade foi realizada dentro do Programa Saúde na Escola (PSE) e teve como objetivo aproximar os adolescentes das ações de promoção e prevenção em saúde, com orientações sobre cuidados com o corpo, vacinação e a importância de buscar informação para evitar doenças.
Entre os temas abordados, os estudantes receberam orientações sobre a vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano), uma das principais formas de prevenção contra infecções causadas pelo vírus e alguns tipos de câncer associados a ele. O encontro também reforçou a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada, inclusive a vacina da HPV.
Para a enfermeira da unidade de saúde do Campo Michel, Marilza Martins, a iniciativa mostra como a parceria entre saúde e educação pode levar informação de forma mais próxima dos jovens.
“Levar orientação para dentro da escola é uma forma de conversar diretamente com os adolescentes sobre prevenção e mostrar que cuidar da saúde começa também com informação”, destacou Marilza.
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