TECNOLOGIA
Brasil inaugura bancada de teste de motor de foguete
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Brasil testa pela primeira vez um motor de foguete de 8 kilonewtons (kN) movido a etanol e oxigênio líquido. O ensaio ocorreu na nova bancada de propulsão da Universidade de Brasília (UnB), no campus Gama, e marcou o início da fase experimental de um projeto de desenvolvimento e fortalecimento da indústria espacial brasileira.
O propulsor integra a iniciativa Foguete de Treinamento a Propelente Líquido, que reúne governo, universidade e setor privado em torno do desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o Programa Espacial Brasileiro. O teste foi feito pela empresa DeltaV Engenharia Espacial, responsável por desenvolver o objeto, com acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia federal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O intuito é utilizar o motor em um foguete de treinamento criado para ser uma plataforma de capacitação tecnológica e operacional, buscando desenvolver competências em propulsão líquida — tecnologia que envolve riscos e complexidade muito altos — e formar equipes especializadas, etapa estratégica para futuros foguetes e lançamentos brasileiros. A iniciativa tem apoio financeiro do MCTI, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Esse tipo de projeto costuma ser usado para:
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Validar tecnologias novas
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Treinar equipes de engenharia e operação
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Testar motores, sistemas e integração
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Criar capacidade industrial nacional
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Reduzir riscos antes de projetos maiores e mais caros
O teste também marcou a entrada em operação da nova infraestrutura instalada na Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE) da UnB. Implementada em parceria com o Chemical Propulsion Laboratory (CPL), coordenado pelo professor Olexiy Shynkarenko, a bancada tem capacidade para ensaios de motores de até 25 kN e amplia a estrutura disponível no País para pesquisas em propulsão líquida.
Segundo o diretor de Inteligência Estratégica e Novos Negócios da AEB, Paolo Gessini, o desenvolvimento do motor representa um avanço importante para o setor espacial brasileiro. “Trata-se de um teste de grande relevância para o setor espacial nacional. O motor de 8 kN, movido a etanol e oxigênio líquido, já apresenta potencial de aplicação em foguetes de sondagem, veículos de treinamento e até estágios superiores de pequenos lançadores”, afirma.
Gessini também destaca o caráter inédito da iniciativa no contexto nacional. “É a primeira vez que uma empresa privada brasileira desenvolve um motor-foguete líquido dessa categoria. Esse tipo de iniciativa demonstra o potencial das pequenas empresas nacionais e reforça a importância dos investimentos por subvenção da Finep, com acompanhamento da AEB, para o avanço tecnológico e industrial do país”, completa.
Durante o ensaio, ocorrido em 1º de maio, a equipe concentrou os testes no comissionamento da bancada e na validação dos sistemas operacionais. Foram avaliadas as operações com oxigênio líquido, a sequência de ignição e subsistemas como vedação e proteção térmica. Os dados obtidos servirão de base para as próximas etapas de desenvolvimento do motor.
Infraestrutura permite testar motores antes de voos reais
A bancada de propulsão líquida funciona como uma plataforma de testes em solo para motores de foguete. Nela, o propulsor é fixado a uma estrutura equipada com sensores e sistemas de monitoramento que permitem avaliar, em ambiente controlado, etapas como ignição, pressão, temperatura, consumo de combustível e desempenho da queima.
O objetivo é validar tecnologias, identificar falhas e reduzir riscos antes da utilização dos motores em foguetes experimentais ou futuros lançamentos. No teste feito na UnB, o motor desenvolvido pela DeltaV Engenharia Espacial utilizou etanol e oxigênio líquido como propelentes — combinação que permite maior controle da combustão e da potência do sistema.
Além do desenvolvimento tecnológico, a infraestrutura deve ser usada na formação prática de engenheiros, pesquisadores e operadores especializados em propulsão líquida, considerada uma das áreas mais complexas e estratégicas do setor espacial. A expectativa é que a bancada fortaleça a formação de profissionais especializados e amplie a capacidade brasileira em áreas estratégicas da engenharia aeroespacial.
TECNOLOGIA
Brasil vence principal competição latino-americana de Direito Espacial
O Brasil alcançou um feito inédito no Direito Espacial: uma equipe brasileira venceu a etapa latino-americana da Competição de Júri Simulado em Direito Espacial Manfred Lachs, principal disputa internacional da área para estudantes universitários. A vitória garantiu ao País uma vaga na final mundial, em outubro, durante o Congresso Internacional de Astronáutica (IAC), em Antália, na Turquia.
A final da VI Rodada Latino-Americana ocorreu na quinta-feira (21), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O evento foi organizado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pela Rede Latino-Americana e do Caribe do Espaço (ReLaCa Espaço). Esta também foi a primeira vez que o Brasil sediou a competição.
A equipe vencedora foi da Universidade Federal do Pará (UFPA), formada pelos estudantes Antony Davi Costa de Sena, Giovanna Reis Miranda e Lívia Ribeiro de Azevedo, com orientação da professora Mariana Monteiro de Matos. Na final, os brasileiros disputaram contra a Universidade Católica da Colômbia.
Além do título principal, o Brasil conquistou outros dois prêmios inéditos na competição: o prêmio de melhor oradora para Lívia Ribeiro de Azevedo (UFPA) e a categoria de melhor memorial jurídico para Camila Ribas dos Reis e Natália Lucena dos Santos, da Universidade Católica de Santos (Unisantos).
Para a professora Mariana Monteiro de Matos, a conquista é resultado de anos de dedicação e fortalecimento da educação e da pesquisa na Amazônia. Segundo ela, a equipe foi movida pela vontade de aprender, compartilhar experiências e ampliar o acesso ao Direito Internacional e ao Direito Espacial entre jovens da região.
“O resultado não foi por acidente, mas uma coroação de anos de trabalho duro e um sonho maior: fortalecer a educação e o Direito Internacional na Amazônia. Meu coração está cheio de alegria de ver isso acontecendo e espero que outros jovens se contagiem com este espírito e se juntem a nós, estejam onde estiverem, mas, especialmente, na Amazônia”, disse a professora Mariana.
Os estudantes vencedores demonstraram que a competição foi mais do que uma disputa universitária. Durante meses de preparação, eles aprofundaram conhecimentos em áreas ainda pouco conhecidas no Brasil, como Direito Espacial, tecnologia e Direito Internacional. O grupo também ilustrou a importância de incentivar mais estudantes da Amazônia e da América Latina a se aproximarem do setor espacial.
A Competição Manfred Lachs foi promovida em conjunto com o XI Encontro Internacional da Rede Latino-Americana de Direito Espacial.
Sobre a AEB
A Agência Espacial Brasileira é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e responsável pela coordenação da Política Espacial Brasileira. Criada em 1994, a instituição atua no desenvolvimento das atividades espaciais no País e na promoção do uso estratégico do setor espacial para a sociedade brasileira.
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